Os Heróis do Mar abrem esta quarta-feira, 4 de novembro, a participação na EHF EURO Cup 2028, com a receção à Suíça na Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, no Porto.
O palco do embate não é um pavilhão qualquer para o Andebol português. Em 1994, recebeu o primeiro Campeonato da Europa organizado pela EHF e foi ali que Portugal disputou toda a fase de grupos, frente a Dinamarca, Espanha, Hungria, Suécia e Eslovénia. Foi também naquele palco que se decidiu o pódio, com as Meias Finais, o jogo do bronze e a final. Voltar ao Porto é, por isso, regressar a um sítio com memória, a pouco mais de um ano de Portugal voltar a receber a competição.
A história recente joga a favor de Portugal. As duas seleções já se defrontaram sete vezes, seis das quais em fases de qualificação e uma no IHF World Championship 2021, e os Heróis do Mar nunca perderam: foram seis vitórias e um empate. O primeiro capítulo escreveu-se na segunda fase de qualificação para o EHF EURO 2014. Em Santo Tirso, Portugal venceu por 27-25, com cinco golos de Pedro Solha e outros cinco de Pedro Spínola, num jogo em que Andy Schmid, atual selecionador da Suíça, liderou a sua equipa com oito remates certeiros. Na Suíça, o resultado foi um empate a 26-26.
O reencontro aconteceu na segunda fase de qualificação para o EHF EURO 2018. No Pavilhão Desportivo Municipal de Loulé, Portugal ganhou por 27-22, numa partida em que Fábio Magalhães e Andy Schmid foram os melhores marcadores de cada equipa, com cinco golos cada. Na Suíça, nova vitória portuguesa, por 27-25.
No Campeonato do Mundo de 2021, as duas congéneres cruzaram caminhos no Main Round, com a equipa das Quinas a vencer por 33-29, apesar dos 11 golos apontados por Schmid. O último duelo foi na segunda fase de qualificação para o Mundial de 2023. Em Guimarães, Portugal impôs-se por 33-26, com oito golos de Victor Iturriza e 15 defesas de Gustavo Capdeville. Na Suíça, os Heróis do Mar voltaram a vencer, desta vez por 33-28.
No plano individual, a Suíça apresenta um conjunto de jogadores habituados aos grandes palcos. Entre os postes, Nikola Portner continua a mostrar-se uma barreira difícil de ultrapassar. O guardião foi o primeiro atleta suíço a conquistar a Liga dos Campeões, primeiro com o Montpellier e depois com o SC Magdeburg (em duas ocasiões). Já no plano ofensivo, Lenny Rubin, no alto dos seus 2.04m, assume-se como o principal rematador do conjunto de Schmid e será um dos atletas a ter em atenção. De salientar também Noam Leopold, atleta do HBC Nantes que se mostra letal, tanto da linha de 7 metros como no seu posto específico.
Quem conhece o balneário sabe o que significa jogar com o público a favor, e este é o primeiro de três encontros em casa nesta EHF EURO Cup. O Selecionador Nacional, Paulo Pereira, falou do que representa jogar no Porto:
“É especial, porque foi sempre especial nos momentos em que tivemos torneios particulares em Portugal, em vários sítios do país. Não houve muitos, é certo, mas tivemos vários. O último foi em Tondela, onde gostámos muito de estar. Já estivemos em Moimenta e podia continuar por aqui fora. Espero que cada vez mais, já que se aproxima o grande evento [EHF EURO 2028], nós possamos reunir em Portugal, para mostrarmo-nos também aos portugueses em carne e osso. Porque, até agora, tudo aquilo que temos conseguido tem sido fora de casa, fora de portas. Portanto, é muito bom poder estar aqui, poder estar no Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota. Espero que seja uma fusão perfeita entre nós e o público, entre nós e os nossos adeptos e aqueles que acreditam que podemos ser uma imagem de marca para Portugal, no sentido da competitividade, de nunca desistir, lutar sempre pelos nossos objetivos.”



António Areia também destacou a expectativa de atuar perante os adeptos portugueses:
“Eu acho que finalmente temos a oportunidade de o fazer e nós, enquanto jogadores que estamos aqui há algum tempo, a participar nessas competições em países sempre longe de casa, apesar de termos sentido muitas vezes o adepto português, não só familiares, mas pessoas que vêm, que se deslocam para nos ver, temos sentido isso com mais assiduidade. Finalmente podemos senti-lo em casa. Eu acho que para nós vai ser algo extraordinário. Não sabemos o que é, porque de facto nunca o vivemos, mas estamos com uma expectativa muito alta em relação àquilo que será todo o envolvimento à volta desse evento. E o nosso entusiasmo, eu acho que está um bocadinho dobrado em relação às outras competições. Finalmente podemos também retribuir um bocado o carinho que temos recebido lá fora para todos os adeptos portugueses que poderão estar no Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota.”
Agora, o adversário tem Andy Schmid no banco. Paulo Pereira traçou o retrato da equipa que Portugal vai defrontar:
“Esta Suíça tem a maior parte dos atletas a jogar na Bundesliga. São cerca de oito atletas a jogar na Bundesliga. Tem dois a jogar em França, no Nantes e no Nîmes, por exemplo. Tem um jogador no Pick Szeged. Portanto, estamos a falar de uma equipa que tem estes jogadores todos a jogar nos melhores campeonatos, sobretudo na Bundesliga. Por isso, nós amanhã, para ganharmos, temos de jogar bem. Sobretudo, temos de defender bem. A Suíça é melhor no ataque do que na defesa. Provavelmente, vão usar um formato que eles usam muito, que é o sete para seis. Mas, dentro do pouco tempo que temos para treinar, vamos, sobretudo no plano teórico, preparar algumas formas de comunicação rápida entre nós, para que possamos resolver esses problemas dos diferentes formatos que eles têm. Tem um excelente treinador, o Andy Schmid, foi um dos melhores jogadores do mundo. Portanto, é uma seleção que temos de encarar com seriedade, para podermos ser competitivos e, quem sabe, vencer. Eles também devem, de certeza, pensar o mesmo de nós. Portanto, vai ser um jogo interessante. Este jogo acho que era importante nós termos essa capacidade de rapidamente podermos perceber como é que podemos ganhar à Suíça e, sobretudo, perceber como é que podemos ser competitivos outra vez.”
António Areia preferiu focar-se no que a equipa pode controlar:
“A Suíça é uma equipa que tem marcado presença nas grandes competições, com alguns nomes sonantes no Andebol internacional. Mas acho que não gosto tanto de ir por aí. Acho que é mais importante pensarmos no tempo que temos, aproveitarmos bem para trabalhar aquilo que podemos fazer para jogar um bom Andebol e ganhar.”
Sobre o que se espera deste regresso, o Selecionador Nacional esclareceu as prioridades do grupo:
“Já estava com saudades, isso é um facto. Depois de ver outra vez estas caras bonitas, já estava com saudades. É um reagrupar. O reagrupar sem uma intenção prioritária de ganhar esta competição. Não é essa a nossa intenção, não é a nossa prioridade, embora queiramos manter-nos competitivos. E depois vamos vendo o que é que esta competição nos oferece. A primeira coisa que tem de acontecer é o reagrupar, o mudar o chip outra vez, jogar na Seleção outra vez, abandonar um pouco a rotina do clube. É um facto que temos pouco tempo. Temos apenas um treino antes do jogo com a Suíça. Portanto, é mesmo isso. É o reagrupar, ter aquelas boas sensações de estar na Seleção Portuguesa e depois preparar, com um bocadinho mais de tempo, também o jogo contra a Espanha. Nos dois jogos queremos ser muito competitivos. Agora, a nossa prioridade é essa: mudar o chip para a Seleção e, pouco a pouco, preparar o que vem aí, que é o Mundial.”
O mesmo sentimento de compromisso foi partilhado pelo ponta direita luso:
“Acho que é importante fazermos um bom jogo. Já há algum tempo que não estamos juntos. E, portanto, vai ser um desafio no qual eu acredito que estamos todos comprometidos a cem por cento naquilo que são as perspetivas para o jogo, para a competição. Estamos todos com um compromisso sério, como sempre tivemos. Portanto, esperamos que seja um belo jogo.”
A preparação para o encontro com a Suíça ficou ainda marcada por um momento especial de proximidade com os adeptos. Esta terça-feira, a Seleção Nacional A Masculina realizou um treino aberto, que contou com a presença de várias crianças, que tiveram a oportunidade de acompanhar de perto os seus ídolos e assistir aos últimos preparativos dos Heróis do Mar antes da estreia na EHF EURO Cup 2028. Um momento de ligação entre a Seleção Nacional e as gerações mais novas, que reforçou o entusiasmo em torno do regresso da equipa das Quinas aos jogos em casa.
A equipa das Quinas não contará com Martim Costa e Diogo Rêma Marques, que receberam dispensa pelo departamento médico da Federação de Andebol de Portugal.
Depois da Suíça, a comitiva nacional segue para Vigo, onde defronta a Espanha no domingo, 8 de novembro, às 17h00 (hora portuguesa).
A bilheteira para o Portugal x Suíça encontra-se aberta e os bilhetes podem ser adquiridos através da plataforma 3cket, AQUI.
Balcão 0 – 16 euros
Bancada Heróis do Mar – 16 euros
Balcão 1 – 13 euros
Balcão 2 – 10 euros
Mobilidade Reduzida (acompanhante não paga) – 13 euros
Pack Grupo de 4 (Balcão 1) – 42 euros
Pack Grupo de 8 (Balcão 1) – 80 euros
EHF EURO Cup 2028
Grupo A (hora portuguesa)
04.11.2026 – 19h00 – Portugal x Suíça, RTP2
08.11.2026 – 17h00 – Espanha x Portugal, RTP2
10.03.2027 – 19h00 – Portugal x Dinamarca, RTP2
13/14.03.2027 – Dinamarca x Portugal, RTP2
05/06.05.2027 – Suíça x Portugal, RTP2
09.05.2027 – 17h00 – Portugal x Espanha, RTP2