OPINIÃO | Paulo Sá: “O EHF Euro 2024 e o futuro”

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Diretor Técnico Nacional da Federação de Andebol de Portugal escreve o Artigo de Opinião da semana sobre a participação portuguesa no Campeonato da Europa e o que está para lá do horizonte.

França vence a Final e é Campeã Europeia.
Portugal é 7.º classificado, alcançando a segunda melhor classificação de sempre.
Martim Costa consagra-se o melhor marcador e é também eleito Melhor Lateral Esquerdo da competição.
Quatro atletas foram nomeados para o grupo final de eleição (All-Star Team) para os melhores em cada posto específico: Francisco Costa, Luís Frade, Martim Costa e Pedro Portela.
Portugal, quatro anos depois volta a entrar no Top-8 do Andebol internacional e volta a garantir apuramento para o Torneio Pré-Olímpico.

Todos os objetivos para o EHF Euro 2024 foram alcançados com elevada competência e ainda conseguimos destaques individuais.

Estamos tão orgulhosos.

Em quantas áreas está Portugal posicionado entre os melhores da Europa? Contam-se pelos dedos.

Mas no andebol somos uma referência e temos de ser reconhecidos como tal.

Alguns atletas não puderam dar o seu contributo, mas isso também foi uma janela de oportunidade para muitos outros, permitiu e potenciou o crescimento dos mais jovens, passámos a ter mais atletas de topo.

Contudo, neste trajeto em que os atletas foram inexcedíveis, em que a equipa técnica preparou todos os momentos com o máximo rigor e pormenor, em que o staff trabalhou para que nada faltasse a ninguém em nenhum momento, temos muitos que contribuíram para que estes momentos acontecessem:

A família, verdadeiros alicerces do apoio e acompanhamento dos atletas ao longo de toda a vida.

Os primeiros clubes e treinadores destes atletas, que os conseguiram captar para o andebol e lhes transmitiram a paixão necessária pelo jogo que os fez manterem-se neste desporto até hoje.

Os clubes e treinadores que posteriormente lhes deram condições para trabalharem mais e melhor e lhes abriram horizontes para o futuro.

E todos os que, na sombra, trabalham e colaboram diariamente e fazem com que estes momentos se repitam constantemente.

Desde 2019 que as Seleções Nacionais jovens marcam presença de forma excecional em todas as fases finais dos Europeus e Mundiais, classificando-se sempre no Top-8 (um segundo lugar, dois quartos, três sextos e um oitavo) fruto de um trabalho desenvolvido a longo prazo. Com uma preocupação de não perder talentos, de investir recursos de forma adequada e de promover muita experiência internacional aos mais jovens.

A Seleção Nacional A Masculina tem sido, nos últimos quatro anos, potenciada, regular e sistematicamente, com estes jovens atletas, o que assegura e dá garantias para o futuro.

Estamos no caminho do sucesso mas queremos mais e, para isso, precisamos de criar condições para que estes momentos sejam uma regularidade. Precisamos que todos trabalhem com um objetivo comum de melhoria do Andebol português.

Será necessário um maior apoio e reconhecimento por parte do estado, um maior interesse por parte da imprensa e que a formação de atletas se faça com um objetivo nacional de potenciar atletas para o futuro.

Temos desafios muito próximos: Torneio Pré-Olímpico e Play-Off para o Mundial 2025 e, logo a seguir, os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Mas temos outros desafios a médio prazo: EHF Euro 2028 a realizar em Portugal e Jogos Olímpicos 2028, com dois Europeus e dois Mundiais no intermédio.

Queremos muito participar em todas estas competições e entrar no grupo de top internacional mas, para isso, precisamos de todos e, mesmo assim, todos ainda somos poucos.

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