Chegou ao fim a Formação Especializada para o Treino de Andebol de Praia – Nível 1, edição de 2025, promovida pela Federação de Andebol de Portugal, através da Andebol School, com o apoio do Conselho de Arbitragem e da estrutura federativa. Esta edição apresentou uma nova estrutura e um novo formato, alinhado com os objetivos estratégicos de valorização e desenvolvimento do Andebol de Praia.
A formação decorreu em formato híbrido, com nove sessões online e uma sessão prática presencial, realizada na passada sexta-feira, em Espinho, em paralelo com o Encontro Nacional de Andebol de Praia sub-14, a Fase Final de do escalão sub-16 e a última etapa do Portugal Beach Handball Tour 2025.
A equipa de formadores foi constituída maioritariamente pela Equipa Técnica Nacional de Andebol de Praia, com a colaboração de Agustín Rodríguez, João Alcobia, Rui Medeiros, Tiago Preta, contando ainda com a participação do convidado internacional Daniel Lara, ex-selecionador campeão do mundo de andebol de praia feminino por Espanha e do Francisco Remígio, que representou o CA da FAP.




A sessão presencial do Curso de Especialização de Andebol de Praia em Espinho juntou formação, prática e um ambiente único de partilha. Com João Alcobia e Tiago Preta, aprendemos, jogámos e terminámos o curso da melhor forma. Sob a tutela e orientação dos dois selecionadores nacionais, e com um grupo de 24 formandos, esta sessão final centrou-se na apresentação dos planos de treino desenvolvidos pelos participantes, num ambiente de discussão técnica, avaliação e troca de experiências. Os exercícios práticos contaram com o apoio dos atletas do Four Twenty BH Club e da Associação Desportiva OSN.
Ao longo do percurso formativo, foram exploradas diversas áreas fundamentais do andebol de praia, como a defesa, o ataque, as regras específicas da modalidade, o treino de guarda-redes, metodologias de treino e a preparação física. Agustín Rodríguez sublinhou a importância de uma base sólida de princípios táticos, afirmando que “a identidade do andebol de praia começa nas decisões rápidas, mas sustenta-se numa base sólida de princípios comuns”. Na mesma linha, Daniel Lara reforçou a exigência física da modalidade, destacando que “o jogo de praia exige um corpo preparado para a instabilidade, a explosividade e a resistência emocional”, salientando a necessidade de uma preparação física adaptada à especificidade da areia. João Alcobia chamou a atenção para a importância de construir sistemas defensivos ajustados às características dos jogadores, assentes numa comunicação clara e eficaz. Já Rui Medeiros enfatizou a relevância do trabalho coordenado entre guarda-redes e bloco defensivo como elemento-chave para a eficácia na defesa. Por fim, Tiago Albuquerque destacaram o papel das habilidades individuais como base do rendimento técnico-tático e defenderam que o shootout deve ser trabalhado com regularidade, incorporando componentes técnicas, mentais e estratégicas.
Segundo Marco Santos, coordenador do Departamento de Formação da Federação de Andebol de Portugal, esta formação foi “o culminar de um processo reestruturado pela equipa técnica nacional, com resultados muito positivos para a modalidade”. Destacou ainda o esforço dos formandos, muitos dos quais participaram na sessão prática após dias intensos de competição, e reforçou: “O Andebol de Praia está em claro desenvolvimento e não podemos perder o comboio da frente e para isso temos de nos preparar o melhor possível.”
Para João Alcobia, formador responsável por várias sessões da formação, esta foi uma “experiência marcante”, destacando que, após um mês de sessões teóricas à distância, a sessão prática foi especialmente enriquecedora, permitindo aplicar os conceitos abordados e promover um verdadeiro espírito de partilha entre todos: “Mais do que uma avaliação, a sessão final foi um espaço de colaboração e aprendizagem coletiva. Foi gratificante ver como esta formação vai além da simples transmissão de conteúdos e acaba por criar uma comunidade de treinadores que partilham experiências e crescem juntos.”
O município de Espinho marcou o encerramento desta edição, mas a Andebol School, em articulação com a Equipa Técnica Nacional, com base no trabalho desenvolvido nesta formação, irá planificar um conjunto de eventos formativos para a época 2025/2026, numa lógica de continuidade e reforço das competências dos treinadores nacionais.