Este torneio foi muito importante para nós e creio que conseguimos cumprir de forma eficaz os dois objectivos a que nos propusemos: (i) colocar a equipa perante adversários que nos proporcionem confrontos com um elevado grau de dificuldade e (ii) explorar a hipótese de mais jogadoras poderem vir a ser opção num futuro próximo. De facto, conseguimos boas performances perante três equipas que estarão presentes no próximo Campeonato do Mundo e pudemos dar tempo de jogo a jogadoras que não têm tido essa possibilidade, testando inclusivamente novas atletas. No que se refere a este segundo aspecto, há que realçar a resposta muita positiva de todas as atletas, que desta forma aumentam o número de opções para a equipa.



Numa análise aos jogos, podemos afirmar que conseguimos performances de muito bom nível em dois jogos e meio. Durante a primeira parte do jogo com a Roménia, não conseguimos jogar da forma que pretendíamos devido à elevada intensidade que o nosso adversário imprimiu (velocidade e nível de contacto com que as acções são efectuadas) e também pelo facto de termos feito uma viagem longa e descansado pouco. Na segunda parte, conseguimos encontrar o ritmo certo do jogo e superamos o cansaço com a vontade e garra habituais, prova evidente do carácter e compromisso da equipa. A melhoria foi tão evidente que ainda durante o jogo, mais concretamente no último time-out solicitado pela Roménia, lhes dei conta da minha satisfação com o que estávamos a fazer e afirmei que iríamos ganhar os jogos seguintes, o que se veio a verificar. Nesses dois jogos (Áustria e Chéquia), conseguimos excelentes performances com boa organização defensiva e ofensiva, conseguindo manter uma elevada intensidade no jogo.
Para além disso, obtivemos duas expressivas vitórias perante equipas com que sempre tivemos dificuldades e que resultam da qualidade das exibições alcançadas. Não fizemos jogos perfeitos (eles não existem…), mas tivemos muitos momentos excelentes com a organização e com a intensidade de jogo que se pretende, o que resultou numa elevada eficácia colectiva. Outro aspecto relevante desta participação, foi o facto de termos gerido muito bem as vantagens no marcador de que dispusemos, algo que até agora não tínhamos conseguido. Por último, mas não menos relevante, constatamos que mesmo mudando bastantes atletas (seis relativamente à última convocatória), o nosso modelo de jogo está consolidado, permitindo, quer a integração de novas jogadoras, quer a manutenção do nível de performance, desde que se mantenha o núcleo base da equipa. Em resumo, excelente participação que confirma a nossa evolução, aliás reconhecida pelos nossos adversários, e que abre excelentes perspectivas para o futuro. Sabemos que haverá momentos de retrocesso e nem sempre vamos jogar como pretendemos, mas entendo que o caminho até agora percorrido se tem revelado muito consistente.





A este crescimento da equipa não é alheio o facto termos estágios em três meses consecutivos e nesse período realizado jogos com equipas que nos colocaram problemas complicados que nos fazem evoluir. De facto, com a participação no torneio em Angola, os jogos de apuramento para o Campeonato da Europa e agora este torneio na Roménia, realizámos jogos com opositores de elevado nível de dificuldade, que é o fator que nos pode proporcionar a evolução que pretendemos.
Este caminho que tem o contributo de muitos, nomeadamente das atletas, dos clubes e dos seus treinadores, bem como dos treinadores que nos antecederam nas selecções, precisa de ser continuado e desenvolvido necessitando da colaboração de todos. Mesmo os árbitros, que habitualmente não são considerados neste processo, têm o seu papel na evolução das equipas e jogadoras. Dou um exemplo desta questão: às nossas pivôs não foi assinalada uma única falta atacante, algo que sucede com frequência no nosso campeonato e por isso precisamos discutir e afinar estes critérios. Fica claro, por este exemplo, que a tarefa de continuar a fazer evoluir a nossa Selecção, depende do contributo de todos os agentes do andebol.
Pela minha parte estou disponível para colaborar com todos e para cumprir o pacto que estabelecemos com as atletas desde o início do nosso trabalho e que é assente em quatro premissas fundamentais:
1 – A equipa acima de tudo. Não há egos na equipa. Há individualidades com características distintas e que são respeitadas, mas que se colocam ao serviço da equipa.
2 – Exigência. As jogadoras exigem que dê o máximo e me supere, sendo que eu exijo delas exactamente o mesmo. Desta relação recíproca, tem resultado a ambição para fazer melhor todos os dias.
3 – Trabalhar de forma ajustada às exigências das competições internacionais. Os problemas com que nos deparamos a nível internacional são diferentes daqueles que temos nas competições internas e por isso requerem soluções distintas e a criação de pressupostos diferentes.
4 – Não há desculpas. Por muito difíceis que sejam as condições com que nos deparamos, elas serão apenas mais um obstáculo a ultrapassar. Damos sempre o nosso máximo mesmo em condições adversas e por isso, algumas vezes, temos superado dificuldades consideradas intransponíveis.



As atletas compreendem e têm trabalhado de acordo com estes pressupostos, assumindo-se como a mais-valia deste processo, pelo que frequentemente as elogio pela forma empenhada como trabalham. De facto, todas as atletas sem exceção, incluindo aquelas que por alguma razão não foram agora convocadas ou já não fazem parte do processo, sempre demonstraram um enorme compromisso com o trabalho da Seleção, fazendo sacrifícios pessoais e profissionais para a representar. Elas merecem todo o apoio possível e que se criem condições para que continuem a evoluir, já que atendendo à juventude e potencial da equipa, é possível esperar um futuro promissor para a equipa. Temos a convicção de que ainda falta bastante para atingir o nível que se pretende, mas também sabemos que estamos no caminho certo.