O mês de junho de 1994 ficou gravado na memória do desporto europeu como o momento em que a Federação Europeia de Andebol (EHF) lançou a sua prova rainha.
Portugal foi o palco escolhido para a edição inaugural do EHF European Championship, recebendo as doze melhores seleções do continente num evento que dividiu as atenções entre o Complexo Desportivo Municipal de Almada e o emblemático Pavilhão Rosa Mota, no Porto. Esta competição não foi apenas um torneio de elite, colocando frente a frente alguns dos maiores talentos da história, mas também o nascimento de um novo padrão de organização para a modalidade.


Para a Seleção Nacional portuguesa, o EHF EURO 1994 representou um batismo de fogo. Inserida no Grupo A, a equipa lusa teve de medir forças com colossos como a Rússia, a Espanha e a Croácia. Embora Portugal tenha terminado na 12.ª posição, a prestação em campo foi marcada por uma entrega inegável, servindo de montra para talentos como Carlos Resende, Eduardo Filipe e Ricardo Andorinho, que viriam a formar a espinha dorsal do andebol nacional durante mais de uma década.
No plano competitivo, a Suécia de Bengt Johansson apresentou-se como candidata incontestável. Os célebres “Bengan Boys” exibiram um modelo de jogo revolucionário e que fez vítimas ao longo de todo o torneio. Na seleção nórdica brilhavam jogadores como Magnus Wislander, Magnus Andersson, Stefan Lövgren e Staffan Olsson. Na fase de grupos, os escandinavos somaram cinco vitórias em cinco jogos, incluindo triunfos sobre a Dinamarca (22-17) e a Espanha (22-19).


Do outro lado do quadro competitivo, a Rússia confirmava o seu estatuto de campeã mundial em título. Liderada pelo lateral esquerdo Vasily Kudinov e pelo incontornável Talant Dujshebaev, a seleção russa impôs-se no Grupo B com goleadas expressivas sobre a Eslovénia (27-22) e a Hungria (27-18). Nas meias-finais, disputadas em solo portuense, a Rússia não deu hipóteses à Dinamarca (29-20), enquanto a Suécia ultrapassou a estreante Croácia por 24-21.
A grande final, disputada num Pavilhão Rosa Mota completamente lotado, resultou num desfecho surpreendente pelo seu desequilíbrio. A Suécia venceu a Rússia por 34-21, um resultado que chocou pelo desnível entre os dois conjuntos.
O grande destaque do torneio foi Magnus Andersson. O central sueco, atual treinador do FC Porto, foi eleito o Most Valuable Player (MVP) da competição e melhor central. Vasily Kudinov, da Rússica, destacou-se no capítulo da finalização e foi o melhor marcador, com 50 golos, e melhor lateral-esquerdo. Tomas Svensson, Pierre Thorsson e Erik Hajas, da Suécia, foram os melhores guarda-redes, ponta-direita e ponta-esquerda, respetivamente, enquanto Jan Jørgensen, da Dinamarca, terminou como o melhor lateral-direito.