A dupla de árbitros portugueses Daniel Martins e Roberto Martins foi nomeada para o Women’s EHF Euro 2026, competição que decorre entre os dias 3 e 20 de dezembro, com jogos distribuídos por Polónia, Roménia, Chéquia, Eslováquia e Turquia.
Os árbitros portugueses juntam-se a mais 15 duplas na Fase Final da competição, numa nomeação que representa mais um marco na época dos dois portugueses. Esta é já a terceira chamada internacional de relevo para a dupla em 2026, depois de terem estado presentes no Men’s EHF Euro 2026 e na Final da Men’s EHF European Cup.
A notícia da convocatória chegou como uma agradável surpresa. “Recebemos a informação através do site oficial da EHF. Foi um momento especial para nós, não estávamos à espera e ficámos muito orgulhosos por representar Portugal numa competição desta dimensão”, conta Daniel Martins. Roberto Martins partilha a mesma sensação, sublinhando que a nomeação foge um pouco ao percurso habitual da dupla. “Foi, sem dúvida, uma surpresa, porque habitualmente o nosso percurso internacional tem sido maioritariamente em competições masculinas e não é normal sermos nomeados para provas femininas. Depois de já termos sido chamados para o Europeu masculino este ano, não estávamos à espera desta nova nomeação.”
Para Roberto, a chamada representa acima de tudo um voto de confiança: “Encaramos esta convocatória como um grande voto de confiança da EHF no trabalho que temos vindo a desenvolver. Para nós, é um privilégio representar a arbitragem portuguesa numa competição desta dimensão e estamos sempre disponíveis para arbitrar qualquer prova para a qual sejamos nomeados, seja no setor masculino ou feminino.”
Questionados sobre o significado desta terceira nomeação internacional na mesma época, depois do Men’s EHF Euro 2026 e da Final da Men’s EHF European Cup, nenhum dos dois hesita. “Sem dúvida. Numa época marcada pela nomeação para o Men’s EHF Euro 2026 e pela presença na final da Men’s EHF European Cup, sermos agora chamados para o Women’s EHF Euro representa um culminar particularmente significativo do nosso trabalho. Estas três nomeações, em competições de elevada exigência e prestígio, refletem a confiança da EHF no nosso desempenho e a confiança depositada na arbitragem nacional”, afirma Daniel Martins, que acrescenta ver nesta sequência de chamadas “uma forma de reconhecimento que valorizamos profundamente” e “o compromisso contínuo com a excelência e com a representação de Portugal ao mais alto nível.”
Roberto Martins segue a mesma linha: “É a melhor forma de fechar o ano civil. Tivemos uma época muito positiva, que terminou com a nomeação para a final da EHF European Cup. Já no início deste ano estivemos presentes no Campeonato da Europa de seniores masculinos e, agora, no arranque da nova época, vamos preparar-nos para o Campeonato da Europa de seniores femininos, que se disputa em dezembro.” Para o árbitro, este percurso “é o reconhecimento do trabalho consistente que temos vindo a desenvolver.”





No que toca à preparação para uma prova desta exigência, Daniel Martins explica que o processo segue um percurso definido pela EHF, semelhante ao do Men’s EHF Euro. “Existem diferenças, uma delas é de que o feminino é mais tático enquanto o masculino é mais de contacto. Do ponto de vista físico, reforçamos o trabalho de manutenção e intensidade, garantindo que chegamos ao torneio com os indicadores exigidos pela EHF. Em paralelo, aprofundamos o estudo das equipas, dos estilos de jogo e das tendências mais recentes da competição, recorrendo a vídeos, documentação técnica disponibilizada pela EHF e à presença num seminário, que será realizado em setembro, em Viena, para as orientações técnicas.” Roberto Martins reforça esta ideia, destacando que será a primeira vez que a dupla arbitra um Europeu feminino de seniores. “Isso implica direcionar uma parte da preparação para uma realidade com a qual não estamos tão familiarizados. Vamos dedicar bastante tempo à análise de vídeo, acompanhar jogos da Liga dos Campeões feminina, estudar as seleções participantes e conhecer melhor as características das jogadoras, para estarmos o mais bem preparados possível.” Sobre a componente física, precisa: “A preparação é orientada pela EHF, que nos fornece um plano específico com início oito semanas antes da competição. Esse período permite-nos chegar ao Europeu na melhor condição física e, em paralelo, aprofundar toda a preparação técnica e tática necessária para enfrentar este novo desafio com confiança.”
Sobre se a experiência acumulada ao longo dos anos torna mais fácil ajuizar determinadas situações, Daniel Martins reconhece que o conhecimento acumulado ajuda, mas o nível de exigência não baixa. “Com o passar dos anos, a experiência torna-se um recurso fundamental. Há situações de jogo que, pela repetição e pelo conhecimento acumulado, se tornam mais intuitivas de ajuizar. A leitura das equipas, dos ritmos de jogo e até dos comportamentos dos atletas ganha uma precisão que só o tempo permite. A experiência ajuda a antecipar tendências, a reconhecer padrões e a tomar decisões com maior segurança. No entanto, o desafio nunca desaparece. Cada jogo tem a sua identidade, cada competição traz novas exigências e cada momento pode apresentar algo inesperado. O nível internacional, em particular, obriga a manter um grau de concentração e rigor que não permite qualquer acomodação. A pressão, a velocidade do jogo e a responsabilidade de representar Portugal ao mais alto nível fazem com que o desafio se mantenha sempre elevado. Por isso, sim, a experiência melhora a capacidade de decisão, mas o compromisso com a excelência garante que o desafio permanece constante.”
Roberto Martins acrescenta uma outra dimensão a esta reflexão, ligada à relação construída ao longo dos anos com os agentes da modalidade. “Com o passar dos anos ganhamos confiança, serenidade e ferramentas para decidir em momentos de maior pressão. No entanto, cada jogo é único e continua a apresentar desafios diferentes, pelo que encaramos todas as partidas com o mesmo rigor, concentração e respeito. Além disso, ao longo dos anos vamos construindo uma relação de confiança e respeito com os diferentes intervenientes da modalidade – atletas, treinadores, dirigentes e restantes agentes. Esse conhecimento mútuo não torna a tomada de decisão mais fácil, porque essa tem de ser sempre imparcial e baseada no que acontece em campo, mas contribui para uma melhor aceitação das nossas decisões e para uma gestão mais tranquila do jogo.”
Para Roberto Martins, esta nomeação é também um reflexo do momento vivido pelo Andebol português. “Estas nomeações refletem também o excelente momento que o Andebol português atravessa. As nossas seleções têm alcançado resultados de enorme prestígio, os clubes têm sido cada vez mais competitivos nas competições europeias e temos jogadores reconhecidos entre os melhores do mundo. É muito gratificante sentir que a arbitragem portuguesa também faz parte desse crescimento. O facto de sermos nomeados para as principais competições internacionais demonstra que os árbitros portugueses são igualmente reconhecidos ao mais alto nível. É um motivo de orgulho para todos nós e mais um sinal de que o Andebol português está, de facto, num excelente momento, afirmando-se entre a elite europeia e mundial.”