Os Heróis do Mar chegam a este encontro após um empate frente à Macedónia do Norte, o que coloca Portugal numa posição mais desconfortável para assegurar a presença no Main Round, embora com alguma margem de manobra, já que se encontra com um goal average (critério de desempate) de +6, ao passo que, o país dos balcãs tem -12.
A passagem à próxima fase depende do resultado combinado das duas Seleções já que, para assegurar uma vaga no Main Round, Portugal terá que estar à frente da Macedónia do Norte nesse critério de desempate. Sobre este adversário, os Lusos já o enfrentaram em sete ocasiões – as últimas das quais em 2024 e em 2025 – tendo saído derrotados em todos os jogos, o último dos quais por 13 golos, recentemente, no IHF Men’s World Championship 2025.
Os Heróis do Mar irão entrar para este encontro sabendo de antemão o resultado que precisam de obter para transitar à próxima fase, já que o embate entre Roménia e Macedónia do Norte se disputa horas antes. O currículo da Dinamarca é inegável mas assim também o é a ambição lusa de garantir um lugar na próxima fase.
Luís Frade, atleta do Barça e um dos pivôs com maior experiência internacional, abordou a situação de Portugal após o empate frente aos balcânicos e continua a acreditar na passagem ao Main Round:
“Eu acho que temos boas opções. Continuamos a depender de nós, que é o que mais importa. Obviamente que temos a sorte de jogar o segundo jogo, onde já saberemos o resultado anterior e conseguimos, obviamente, ter um bocado mais de mão no resultado. Mas nós temos de entrar com a mesma vontade e com a mesma garra que nos caracteriza. Sinto que, neste momento, nós podemos ganhar qualquer equipa e temos de entrar no jogo para ganhar, não podemos entrar no jogo para perder por menos. Sinto que temos qualidade para isso, sinto que temos equipa para isso e acho que temos a mais-valia de ainda poder lutar por um resultado não tão favorável para nós, por isso temos boas possibilidades de passar ao Main Round.”
O internacional português realçou ainda a qualidade do conjunto de Nicolaj Jacobsen e as dificuldades que serão sentidas durante o jogo:
“Eles são a melhor equipa do mundo neste momento, mais consagrada também. E eles têm dois guarda-redes incríveis: o Emil [Nielsen] e o Kevin [Møller], e eu tive a sorte de jogar com eles, são guarda-redes que mudam um jogo e sabemos que atualmente o guarda-redes é uma peça muito importante no Andebol. Acho que vai ser muito complicado, temos que estar muito assertivos na finalização, porque falhar um remate não mexe só com o resultado, mas também com o estado anímico. E depois é a transição deles, nós temos que estar muito fortes na nossa recuperação. A Dinamarca é uma equipa que põe muita intensidade no jogo, têm jogadores atiradores, jogadores possantes, jogadores rápidos e é uma mistura ótima que eles têm e que vai ser muito complicado batê-los.
Luís Frade considera que as trocas defensivas serão cruciais no momento da recuperação defensiva para ultrapassar a Dinamarca:
“Se formos assertivos nas nossas trocas e conseguirmos contrabalançar bem essas trocas e recuperar para o sítio certo, para que os nossos especialistas defensivos entrem no momento certo, acho que conseguimos fazer as nossas trocas e uma boa recuperação. Agora, obviamente, tem que ser muito mais rápido, com muita mais cautela e muito mais focados. Não existe esperar por uma bola, um ressalto, não existe nada. Temos simplesmente de recuperar para trás e estar preparados para defender.”
Mas deixou bem patente a ambição portuguesa em alcançar um resultado que lhes permita estar na próxima fase:
“Sou um português que não gosta de sofrer até à última, para mim já tinha acabado… Mas acredito que nós conseguimos ganhar o jogo. Temos de entrar para ganhar. Não há melhor maneira do que entrar olhos nos olhos para lutar por um objetivo que é ganhar. Vamos vê-los, vamos estudá-los, vamos preparar-nos, descansar e preparar para um grande jogo amanhã. Vai estar um ambiente incrível, que não vamos ter a oportunidade se calhar de jogar num pavilhão com 16 mil pessoas e com uma bancada só de pé, numa arena destas, num país que respira andebol. Estamos a aproveitar todos os bocadinhos que temos.”
Recordamos que Portugal está na disputa do Grupo B, juntamente com a Dinamarca, que tem 4 pontos, a Macedónia do Norte que tem 1 e a Roménia que continua em branco, ao passo que, a formação das Quinas se encontra com 3 pontos e um goal average de +6. A ronda final desta fase está agendada para terça-feira (20), pelas 19h30 (hora portuguesa), frente à formação nórdica e conta com transmissão na RTP2.
Os atuais campeões mundiais e olímpicos encaram o EHF EURO 2026 com uma missão clara: reconquistar o trono europeu após um jejum de 14 anos. A jogar em casa como co-organizadora, a Dinamarca contará com o apoio fervoroso dos seus adeptos para tentar repetir a glória de 2012. Devido à qualificação direta, os nórdicos prepararam-se participando na EHF Euro Cup 2026, onde terminaram na segunda posição, perdendo apenas para a sua eterna rival, a França.
Este torneio marca o início de uma nova era para a formação dinamarquesa, sendo a primeira grande prova em vários anos sem o icónico trio Niklas Landin, Henrik Møllgaard e Mikkel Hansen. Nikolaj Jacobsen, um dos técnicos mais prestigiados do mundo, lidera este período de transição, mas a renovação parece garantida. Com estrelas como Emil Nielsen, Simon Pytlick e o incontornável Mathias Gidsel — atual Jogador do Ano da IHF —, a Dinamarca abraça o que promete ser mais uma década de ouro no andebol internacional.
Apesar de deterem oito medalhas no historial da prova, os dinamarqueses não levantam o troféu desde 2012. A dor da derrota dramática na final do EHF EURO 2024 serve de combustível para esta equipa de estrelas, que tem em Herning o palco ideal para atingir o pináculo europeu. Como detentora dos títulos mundial e olímpico, a Dinamarca entra na prova como o principal alvo a abater e a grande favorita ao ouro. O objetivo final é completar a trilogia de títulos simultâneos, um feito apenas alcançado pela França em duas ocasiões, perante o seu público.
Jogadores Chave: Mathias Gidsel (lateral direito, 26 anos, Füchse Berlin), Simon Pytlick (lateral esquerdo, 25 anos, SG Flensburg-Handewitt), Emil Nielsen (guarda-redes, 28 anos, Barcelona)
História na Competição: 1994 – 4.º Lugar; 1996 – 12.º Lugar; 2000 – 12.º Lugar; 2002 – 3.º Lugar; 2004 – 3.º Lugar; 2006 – 3.º Lugar; 2008 – 1.º Lugar; 2010 – 5.º Lugar; 2012 – 1.º Lugar; 2014 – 2.º Lugar; 2016 – 6.º Lugar; 2018 – 4.º Lugar; 2020 – 13.º Lugar; 2022 – 3.º Lugar; 2024 – 2.º Lugar
EHF Euro 2026
Grupo B (hora portuguesa)
16.01.2026 – 17h00 – Portugal x Roménia, 40-34 (23-15)
18.01.2026 – 17h00 – Macedónia do Norte x Portugal, 29-29 (13-15)
20.01.2026 – 19h30 – Dinamarca x Portugal, RTP2