Men’s EHF EURO 2028: “Este europeu será uma marca na carreira dos nossos atletas”

Antigo capitão da Seleção Nacional e atual vice-Presidente da Federação recorda com emoção o Europeu de 1994, disputado em solo luso, traçando um paralelo com a ambição da organização de 2028.

A história do andebol português prepara-se para iniciar um ciclo quando, trinta e quatro anos depois, em 2028, o país voltar a receber o Campeonato da Europa. Para Miguel Fernandes, as memórias de 1994 servem de alicerce para a ambição renovada de uma estrutura que hoje olha para o topo. Como atleta e guarda-redes que viveu o pulsar de Almada e do Porto entre os postes das balizas nacionais, recorda o momento em que se percebeu que Portugal tinha em mãos uma geração com um talento fora do comum, forjada em processos de remodelação das seleções iniciados ainda nos anos 80.

“A memória que eu tenho é da nossa geração de jogadores. Era uma equipa que tinha ali – em ’94 – uma geração com muito talento. Não só aqueles que já estavam em ’88 e ’89, no Mundial a que tínhamos ido, mas que ainda era um Mundial antigo. Mas em 1992 houve um momento que foi de viragem, que é o Europeu sub-18 em que somos campeões europeus com uma grande geração de jogadores. Eduardo Filipe, Sérgio Morgado na baliza. Jogadores que ficaram muitos anos na seleção e que muitos deles se juntaram àqueles que eram já um bocadinho mais velhos, mas que ainda éramos todos novos. Portanto, a primeira grande memória que eu tenho é de pertencer a uma geração que sabíamos que ia dar qualquer coisa.”

O antigo capitão recorda a dimensão da estrutura organizativa da época e o carinho do público, apesar da classificação final não ter espelhado o nível de uma equipa que batia o pé às grandes potências mundiais. Os resultados tangenciais contra seleções como a Eslovénia e a Hungria deixaram uma marca de “quase”, mas serviram de rampa de lançamento para a consolidação que viria a acontecer. Miguel Fernandes sublinha que o Campeonato da Europa de 1994 foi o batismo de Portugal no andebol de elite mundial, enfrentando seleções que, na altura, detinham uma superioridade física e técnica mais cavada do que a que se verifica no equilíbrio do andebol moderno.

“Lembro-me de perder dois jogos por um, um contra a Eslovénia, que se ganhássemos íamos ter uma classificação melhor. Era como agora, um golo podia-nos colocar numa posição completamente diferente. Lembro que fizemos jogos muito bons, lembro-me de termos muitos elogios e lembro-me perfeitamente de toda a comunidade, mesmo da parte internacional, ver ali uma seleção que já tinha algo de diferente relativamente ao passado daquilo que era a seleção portuguesa. Este Europeu foi de facto o primeiro grande momento do andebol português ao mais alto nível.”

Ao projetar o Europeu 2028, o agora dirigente destaca a complexidade acrescida de organizar um evento num mundo digital e globalizado, onde as exigências da Federação Europeia de Andebol (EHF) em áreas como o marketing e a logística são incomparavelmente superiores às de há três décadas. Contudo, o Diretor Executivo da Federação de Andebol de Portugal vê nesta coorganização com Espanha e Suíça não apenas um desafio administrativo, mas uma oportunidade de ouro para consolidar o trabalho de formação que tem levado as seleções jovens de Portugal ao estatuto de vice-Campeãs Europeias e Mundiais.

“Acho que o Euro 2028 representa algo completamente diferente quando comparado com o Euro 1994 e o Mundial 2003. Estamos num outro mundo, a parte digital, a velocidade com que se têm de tomar decisões e a complexidade da organização, desde logo porque temos que cumprir com um caderno de encargos robusto por parte da Federação Europeia em todas as áreas: marketing, comercial, logística, transportes, hotéis, e muito foco na grande qualidade das condições das equipas para que possam estar ao seu mais alto nível desportivo. Nós não nos podemos esquecer que estamos a organizar um evento desportivo. Temos que dar as melhores condições às seleções e comitivas, tal como as outras equipas e os outros países têm procurado dar nestes últimos europeus em que participámos.”

A prova de 2028 marcará também o encerramento do ciclo da atual direção liderada por Miguel Laranjeiro, sendo encarada como o culminar de uma década de sucessos sem precedentes, incluindo participações olímpicas e classificações históricas em fases finais. Para Miguel Fernandes, o evento deve funcionar como uma rampa de desenvolvimento:

“Isto tem que ser um impulso e uma mola de desenvolvimento para aquilo que o andebol português está a fazer e quer continuar a fazer. Porque estas presenças que temos tido nestes últimos 7 anos, com europeus e mundiais, fases finais, Jogos Olímpicos pelo meio, e com estas classificações absolutamente fantásticas. Isto foi acompanhado de um trabalho igualmente espetacular nas seleções jovens. Nós somos vice-campeões da Europa e do Mundo de sub-20 e sub-21 masculinos.”

Finalmente, o antigo internacional deixa uma mensagem de incentivo à geração atual de jogadores, muitos dos quais estarão no auge das suas carreiras em 2028. O ex-capitão da equipa das Quinas acredita que o melhor momento do andebol português ainda está por acontecer e que o Euro em casa será o palco perfeito para essa consagração:

“Diria aos nossos jogadores para desfrutarem ao máximo porque não vão esquecer esses momentos. Jogar uma prova desta dimensão em Portugal, acho que vai ficar registado como uma marca nas carreiras deles. Eu creio que esta seleção, que tem sido liderada pelo Paulo Pereira e pela equipa técnica que têm trabalhado, os 20 e poucos jogadores que nos últimos anos têm estado nas fases finais, vão ter no Euro 28 um momento absolutamente histórico. Eu não posso dar conselhos a ninguém, mas se pudesse dizer alguma coisa seria: primeiro, desfrutem ao máximo, e segundo, eu já lhes disse isto, o melhor está para vir.”

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