Seminário Internacional de Andebol da Maia destacou o Baby Andebol como projeto de futuro para a formação

Cidade da Maia reuniu a elite do Andebol formativo em dois dias de intensa partilha e reflexão sobre o futuro da modalidade; Projeto Baby Andebol foi um dos tópicos principais de debate, bem como a evolução do trabalho de guarda-redes.

O Seminário Internacional de Andebol da Maia 2026 decorreu nos dias 15 e 16 de maio, em Águas Santas. O evento reuniu treinadores, formadores e agentes da modalidade num espaço de reflexão dedicado ao tema “Iniciação, Formação e Competição: Etapas de um Percurso Sustentado”.

Um dos momentos centrais do programa foi a apresentação do Projeto Baby Andebol, conduzida por Filipe Duque, Pedro Fernandes e Carla Barbosa. A sessão colocou em destaque a relevância do desenvolvimento infantil através do jogo, do movimento e da criação de experiências positivas nas primeiras idades.

A apresentação evidenciou a necessidade de repensar a iniciação desportiva, sobretudo num cenário em que as crianças passam cada vez menos tempo ao ar livre e perdem oportunidades de explorar diferentes estímulos. O Projeto Baby Andebol surge como uma resposta estruturada a esta realidade. Através de atividades lúdicas, histórias e desafios em ambientes seguros, a iniciativa promove o crescimento motor, cognitivo, social e emocional de crianças entre os 3 e os 6 anos.

Durante a sessão, os preletores explicaram que o projeto nasceu da união de várias experiências práticas implementadas no terreno por Filipe Duque, Pedro Fernandes e Carla Barbosa. Mais tarde, estes modelos foram integrados e estruturados pela Federação de Andebol de Portugal numa visão de âmbito nacional. Atualmente, o Baby Andebol já envolve cerca de 750 crianças em clubes, escolas, creches e instituições sociais.

Os formadores defenderam uma abordagem centrada no “brincar com intenção pedagógica”, que valoriza a criatividade, a imaginação e a autonomia antes da especialização desportiva. Para isso, apontaram o uso de narrativas, personagens imaginárias, materiais reutilizados e desafios adaptados como ferramentas fundamentais para estimular o potencial dos mais novos.

Outro dos temas debatidos foi o papel dos treinadores e das famílias neste processo. A sessão destacou a importância de construir contextos emocionalmente seguros, onde a criança possa explorar, errar e decidir de forma autónoma, sem o excesso de proteção dos adultos. Os intervenientes reforçaram que o foco não está na competição precoce, mas sim na criação de uma ligação positiva e duradoura com o desporto.

O Seminário contou ainda com um painel dedicado à formação do guarda-redes, liderado por Pedro Silva. O técnico refletiu sobre o percurso evolutivo desta posição e sublinhou a importância de desenhar exercícios mais próximos da realidade do jogo, valorizando a tomada de decisão, o erro como aprendizagem e o desenvolvimento físico, técnico, tático e psicológico.

No espaço dedicado aos “Projetos MasterPlan”, Alda Pena (Académico FC), Luís Machado (AC Lamego) e Francisco Campos (CJ Almeida Garrett) partilharam estratégias de crescimento, ligação às escolas e sustentabilidade da modalidade em diferentes realidades do país.

Integrado no Torneio Internacional da Maia, o Seminário voltou a afirmar-se como um palco fulcral de partilha e reflexão sobre o futuro da formação no Andebol português.

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