23.º Congresso de Treinadores de Andebol bate recordes na Universidade da Maia

Maior edição de sempre reuniu 360 participantes em torno do tema “O Treinador como Impulsionador do Jogo”, com um painel de oradores de referência nacional e internacional.

O andebol português celebrou hoje um marco histórico na Universidade da Maia. O 23.º Congresso de Treinadores de Andebol tornou-se a maior edição de sempre, reunindo 240 participantes presenciais e mais 120 em formato online — num total de 360 inscritos que reflete o crescente prestígio de uma iniciativa que se consolidou como referência na formação da modalidade em Portugal.

Sob o tema central “O Treinador como Impulsionador do Jogo”, o programa do congresso convocou perspetivas técnicas, científicas e tecnológicas aplicadas ao treino e à evolução do jogo, protagonizadas por alguns dos mais reconhecidos especialistas nacionais e internacionais da modalidade.

O dia começou com Pedro Sequeira, Diretor da Formação da Federação de Andebol de Portugal, e o Professor Domingos Oliveira e Silva, Presidente do Conselho de Administração da Maiêutica, a abrirem a sessão. De seguida, Paulo Jorge Pereira apresentou a palestra “Aprender a jogar em contexto instável”, seguido de um painel com Ana Ramires, Nuno Farelo, Ana Seabra e Rui Silva, capitão da Seleção Nacional A Masculina, dedicado à saúde mental do treinador — “O Treinador no Limite”. As sessões da manhã terminaram com André Teixeira, que falou sobre “Novas Abordagens no Treino de Guarda-Redes”.

A parte da tarde também apresentou debates de nível elevado. António Carlos Ortega, treinador do FC Barcelona que se sagrou campeão da Europa há uma semana, e João Monteiro abordaram a “A Influência do Treinador na Evolução do Jogo”. Depois foi altura do dinamarquês Peter Bredsdorff-Larsen apresentar uma palestra sobre transição ofensiva e defensiva no andebol moderno. Robert Nijdam deu a conhecer o trabalho de formação neelandês com “From Talent to Elite: The Philosophy of the Dutch Handball Academy”. O dia concluiu com Henrique Ortigão a falar sobre o “Spiideo” e outras ferramentas inteligentes para treinadores.

No final da jornada, Pedro Sequeira, não escondeu a satisfação pelo resultado:

“O balanço é muito positivo porque tivemos a sorte, se calhar também a competência, de conseguir um grupo de oradores extraordinários. Sem desprezar qualquer um, mas ter aqui o Carlos Ortega, que há uma semana ganhou a Liga dos Campeões, é extraordinário. Mas a mesma coisa relativamente ao nosso selecionador nacional, Paulo Jorge Pereira, ao selecionador nacional das Ilhas Faroé, que até vão ser nossos adversários, ao Rui Silva, capitão da nossa seleção, e a Ana Seabra, a primeira treinadora portuguesa a ganhar uma competição europeia. Ainda mais sendo uma mulher no estrangeiro a ter sucesso. Reunimos de facto aqui um conjunto muito interessante e, o que é importante, é que na prática trouxeram temas e reflexões extraordinárias para aquilo que nós precisamos.”

O dirigente considerou que o recorde de participação confirma uma convicção que tem defendido há vários anos:

“Acho que finalmente fica validado aquilo que eu já digo há alguns anos. Não sou só eu, claro, mas que a razão do sucesso do andebol português se deve aos treinadores. Há muitos anos que os treinadores já não vêm a estes congressos à procura de créditos para renovar as licenças, como era há mais de 20 anos, quando era obrigatório fazer uma ação de formação para se inscreverem no ano seguinte. Não, os treinadores portugueses aprendem. Têm a humildade de perceber que todos os dias podem aprender alguma coisa com outras pessoas. E acho que essa é a razão pela qual conseguimos bater o recorde. O andebol passa por muitas dificuldades ao nível dos clubes, há muita falta de dinheiro, falta de instalações desportivas. Mas a realidade é que a base existe, e sem os treinadores não tínhamos o sucesso que hoje temos, quer nos masculinos, quer nos femininos.”

Sequeira deixou ainda uma palavra de confiança no futuro da modalidade:

“Quando olhamos para as seleções jovens masculinas e femininas, vemos que há muita qualidade. Os treinadores estão a trabalhar muito bem — não nos últimos dois, cinco ou dez anos, mas há muito mais tempo. O mérito não é só de quem está hoje à frente, vem já de trás, de todo o trabalho feito acreditando que a formação de treinadores é absolutamente fundamental. Olhando para as nossas seleções A, vemos muita juventude para jogar durante muitos anos. E mesmo nos femininos há um trabalho muito interessante a ser feito.”

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