Dupla portuguesa repete nomeação para Final europeia

Daniel Martins e Roberto Martins voltam a merecer a confiança da Federação Europeia de Andebol (EHF) e vão dirigir a segunda mão da Final masculina; Ana Seabra também está na decisão feminina, à frente do CB Atlético Guardés.

A arbitragem portuguesa volta a ser nomeada para uma grande decisão europeia de clubes. Daniel Martins e Roberto Martins foram os escolhidos para dirigir a segunda mão da Men’s EHF European Cup, entre GRK Ohrid e MOL Tatabanya KC, agendada para 31 de maio, em Ohrid, pelas 19h00 (hora portuguesa).

A nomeação volta a colocar os irmãos Martins entre os árbitros portugueses de maior destaque no panorama internacional, depois de uma época em que também passaram por jogos da EHF Champions League e na sequência do percurso que os levou a estrear-se num Europeu sénior em 2024 e a repetir a presença no Men’s EHF Euro 2026.

Em 2024/2025, Daniel Martins e Roberto Martins já tinham sido escolhidos para a segunda mão da final da mesma prova, então entre HC Alkaloid e AEK Athens HC. O reconhecimento da EHF surge em continuidade com um trajeto consolidado da dupla leiriense, que soma presença regular em jogos de alta exigência nas competições europeias.

Daniel Martins afirma que voltar a merecer a confiança da EHF com uma nova chamada para uma Final europeia representa um grande orgulho, mas é também sinónimo de uma grande responsabilidade:

“Acima de tudo, um enorme orgulho e um sentimento de grande responsabilidade. Quando a EHF volta a confiar numa dupla para jogos desta dimensão, sentimos que o trabalho desenvolvido ao longo dos anos está a ser reconhecido. Sabemos da exigência que existe ao mais alto nível europeu e, por isso, cada nomeação é encarada com muita humildade, compromisso e vontade de corresponder às expectativas. Estar novamente presentes numa Final europeia é também um momento especial que valorizamos muito enquanto dupla e representantes da arbitragem portuguesa.”

Roberto Martins considera que esta continuidade em encontros decisivos representa o reconhecimento da regularidade do trabalho desenvolvido pela dupla e espelha também a evolução da arbitragem portuguesa no contexto internacional:

“Vemos essas nomeações como um reconhecimento da consistência do nosso trabalho e da evolução que temos procurado manter ao longo das últimas épocas. Ao mesmo tempo, acreditamos que isto também reflete a qualidade da arbitragem portuguesa. Portugal tem vindo a afirmar-se internacionalmente não só através dos atletas e equipas, mas também na arbitragem, e isso deve-se ao trabalho de muitas pessoas ao longo de vários anos. Sentimos orgulho em poder contribuir para essa imagem positiva e esperamos que isso possa abrir portas e motivar novas gerações de árbitros portugueses.”

No que diz respeito à preparação para uma Final europeia, Roberto Martins refere que o trabalho da dupla começa muito antes do apito inicial e implica preparação física, técnica e mental, observação detalhada das equipas e uma ligação total dentro do campo:

“A preparação começa muito antes do jogo. Existe um trabalho físico, técnico e mental muito rigoroso, além do estudo detalhado das equipas, dos seus modelos de jogo e das dinâmicas que podemos encontrar durante a partida. Mas também é muito importante a comunicação e a confiança entre a dupla. Em jogos desta dimensão, todos os detalhes contam e a capacidade de manter equilíbrio emocional e concentração durante os 60 minutos é fundamental. Procuramos encarar estas finais com naturalidade, experiência e foco total naquilo que controlamos: tomar as melhores decisões possíveis dentro do campo.”

Numa mensagem dirigida aos jovens árbitros portugueses, Daniel Martins realça que o topo internacional é alcançável e aprofunda quatro pilares que considera essenciais para chegar ao mais alto nível:

“Portugal tem hoje uma rota aberta – iniciada pelo António Goulão e José Macau, aproveitada pelo Eurico Nicolau e Ivan Caçador e consolidada pelo Duarte Santos e Ricardo Fonseca – que é respeitada na Europa. O caminho é longo, mas o topo é perfeitamente alcançável com dedicação. A mensagem que queremos deixar foca-se em quatro pilares essenciais para construir uma carreira de sucesso internacional:

Trabalho Consistente: O talento abre portas, mas a disciplina diária e o rigor físico sustentam a longevidade na alta competição.
Resiliência Mental: Erros vão acontecer, mas a capacidade de aprender com eles e manter a calma sob pressão define um árbitro de elite.
Estudo Constante: Dominar as regras do jogo, compreender as táticas das equipas, fazer uma boa gestão de jogo e dominar línguas estrangeiras são ferramentas obrigatórias.
Humildade e Espírito de Equipa: O sucesso não se alcança sozinho. Confiar no parceiro e ouvir os conselhos dos mais experientes é fundamental. Que nunca deixem de acreditar nos seus sonhos. O caminho da arbitragem é exigente, desafiante e, muitas vezes, feito de obstáculos, mas é precisamente essa capacidade de continuar a trabalhar e evoluir que faz a diferença. Nada substitui a dedicação, a humildade e a vontade constante de aprender. É importante perceber que chegar ao mais alto nível não acontece de um dia para o outro – é um processo construído com paixão, resiliência e compromisso diário.

Se trabalharem com seriedade e acreditarem no seu valor, Portugal continuará a ter árbitros presentes nas maiores competições internacionais.”

No setor feminino, Portugal também estará representado numa final europeia. Ana Seabra, antiga internacional portuguesa, antiga capitã da Seleção Nacional A Feminina e com passagem pelo comando técnico da Seleção Nacional de sub-17 Feminina, lidera o Club Balonmán Atlético Guardes, que vai discutir a final da Women’s EHF European Cup diante do MSK Iuventa Michalovce. A segunda mão está marcada para 24 de maio, pelas 18h00 (hora portuguesa), em Pontevedra, e a formação espanhola de Ana Seabra leva 4 golos de vantagem conquistados no jogo da primeira mão (20-24).

A mesma Final feminina contará ainda com outro representante nacional: Pedro Sequeira foi nomeado para exercer funções como representante da EHF no encontro decisivo da segunda mão.

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